A loucura coletiva e o horror são temas recorrentes na obra de Leonid Andrêiev (1871-1919), um dos autores russos mais lidos no início do século XX, que rivalizava com Tolstói e Tchekhov em popularidade. Este volume reúne dois de seus textos principais.
A novela "O riso vermelho - Fragmentos de um manuscrito encontrado" (1904) é considerada a primeira manifestação do expressionismo na literatura russa. Ela é composta por trechos de manuscritos supostamente deixados por um oficial da artilharia ao retornar ferido do front, e de seu irmão, que não lutou mas também foi psicologicamente impactado pela guerra.
Em "O Rei Fome - Espetáculo em cinco cenas com prólogo" (1908) foi um dos exemplos mais radicais do teatro político e visionário de Andrêiev. Nela, um grupo de operários que trabalham sob o barulho incessante das máquinas no ambiente insalubre de uma fábrica é incitado, pelo próprio rei, a se revoltar. O monarca sabe que essa população pobre e faminta é sempre a vítima dos próprios protestos.