Um jovem médico empreende uma viagem até os confins da Rússia para documentar as terríveis condições de vida dos condenados a trabalhos forçados em uma ilha-presídio. Tradução de Rubens Figueiredo.
Abril de 1890. Anton Tchékhov, um médico de trinta anos que estava começado a fazer seu nome na literatura russa, decide empreender uma viagem até uma ilha-presídio no Pacífico, ao norte do Japão e a mais de nove mil quilômetros de Moscou, onde vivia confortavelmente. A própria jornada era uma aventura com elementos de autoprovação. Ao se decidir por Sacalina, o interesse de Tchékhov era fazer o recenseamento da população deportada, com ênfase no levantamento das condições sanitárias, higiênicas, nutricionais e médicas. Chegando lá, boa parte de sua objetividade e atitude científica esvaneceram-se diante de um quadro de abandono quase absoluto. Era em Sacalina que tentavam sobreviver - da maneira mais ultrajante -- os esquecidos e os proscritos.
A medicina então foi transformada em gesto político e em literatura. A imensa repercussão do livro foi um dos motivos que fizeram as autoridades a promover diversas mudanças no regime prisional e abolir uma série de castigos humilhantes e tratamentos vexatórios dispensados a deportados e seus familiares. Um livro-denúncia que é, até hoje, um dos relatos mais impressionantes da literatura ocidental.
"Em A ilha de Sacalina, Tchékhov inventou um novo tipo de literatura. Uma literatura modulada com humanidade clínica - calcada na observação aguda e quase médica sobre a natureza humana e suas imperfeições e perversidades, mas também uma literatura de sensibilidade expansiva e imensa ternura." -
Siddhartha Mukherjee
"A ilha de Sacalina é o melhor texto de jornalismo escrito no século XIX." -
The New Yorker